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Ao pedir demissão seja o mais verdadeiro possível.

Se procurar emprego requer preparo e habilidade, deixá-lo não é diferente. Para os trabalhadores éticos e comprometidas com o trabalho pedir demissão nunca é uma tarefa fácil (fonte: odiario.com, 20/06/2011).

Uma proposta tentadora, uma mudança de rumo nos projetos pessoais ou mesmo uma questão mais delicada, como a dificuldade de relacionamento com o gestor, nada justifica uma despedida truculenta. O desligamento deve ser feito de forma ética e responsável.

A orientação é da psicóloga Regiane Cristina de Souza, consultora Organizacional e do Trabalho. Não é incomum o funcionário criar uma história e negligenciar o trabalho para forçar a demissão. São atitudes no mínimo antiéticas.

"Quando se pede desligamento, é importante ser verdadeiro. Quando se cria uma história, os próprios colegas vão descobrir a verdade mais tarde e isso vai prejudica a imagem do profissional", diz.

A psicóloga alerta ainda que não se deve deixar a empresa com uma postura de quem não vai mais voltar. "Nunca se sabe se vai ser preciso retornar. Ainda que a decisão de desligamento tenha sido tomada por dificuldade de relacionamento, isso precisa ser colocado de forma amena e educada", avisa. Falar mal da empresa, ainda que esteja cumprindo aviso ou vá deixá-la no dia seguinte, é outra atitude inadmissível do ponto de visa ético e comportamental, independente da posição que se ocupa na empresa.

A consultora ressalta que muitas propostas estão aquém do idealizado pelo candidato. "Quando as oportunidades aparecem, costuma-se idealizar e achar que o outro emprego vai ser muito melhor. E nem sempre isso acontece. E se você fala mal da empresa atual imagina-se que vai fazer o mesmo para onde vai", analisa.

Em outras palavras, a psicóloga destaca que as portas devem ser mantidas abertas e não o contrário (já que as referências negativas do funcionários podem pesar no futuro). Da mesma forma que os colegas se elogiam, ou não, entre si, quem emprega também comenta sobre os profissionais.

"Já vi as duas coisas: empresários comentando sobre os aspectos positivos de determinados profissionais ao saber que um colega o estava contratando, e outro, em que alertava porque as referências não eram assim tão boas".

A psicóloga avisa ainda que disposição imediata para assumir um novo emprego pega mal, porque pressupõe-se que o funcionário vai deixar a empresa atual ‘não mão’, de um dia para o outro.

"Quando a pessoa vai pedir desligamento, ela precisa negociar com a empresa algum tempo até que ela se organize e coloque outra pessoa em seu lugar. É preciso que exista ética e responsabilidade na hora de se desligar, e não precisa cursar uma faculdade para aprender isso".


Transparência

"Senti muito quando deixei a empresa onde estava havia dois anos. Até hoje mantenho contato com o pessoal e sei que as portas estão abertas, caso eu queira voltar", comenta a auxiliar administrativa Eleane Pereira de Souza. Um namoro pela internet virou compromisso sério e ela trocou Curitiba por Maringá há cerca de seis meses.

Eleane conseguiu trabalho numa universidade local e em menos de um mês depois percebeu que não conseguiria produzir o que a empresa estava esperando. Num final de semana decidiu deixar o trabalho.

"Não me adaptei à função e preferi encarar um pedido de demissão à continuar produzindo pouco. Dessa vez foi mais fácil porque o setor estava em transição. No outro foi mais difícil porque eu sabia que ia fazer mais falta".


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